sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Biografia de João Baptista Ribeiro

n.      25 de abril de 1790.
f.       24 de julho de 1868.

Comendador da Ordem de Cristo, cavaleiro da de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, conselheiro, director e lente jubilado da Academia Politécnica do Porto, pintor muito apreciado, etc.

Nasceu em S. João de Aregos, no distrito de Vila Real, cm 25 de abril de 1790, faleceu em 24 de julho de 1868. Revelando notável vocação para as belas artes, matriculou-se em 1802 na aula de desenho da academia do Porto, que frequentou durante sete anos, recebendo sucessivamente lições dos professores Vieira Portuense, Domingos Vieira, José Teixeira Barreto e Raimundo Joaquim da Costa, obtendo durante o curso três prémios de primeira classe.

Pelo falecimento de Vieira Portuense, sucedido em maio de 1804, foi nomeado director da aula de desenho o distinto pintor Domingos António de Sequeira, por carta régia de 8 de maio de 1806. Entrando na posse do seu cargo, escolheu entre os discípulos mais adiantados da mesma aula cinco, que lhe pareceu que revelavam mais talento, para os iniciar na arte da pintura. João Baptista Ribeiro foi um dos escolhidos, e na verdade, soube aproveitar-se das lições do mestre, e fez tais progressos, que no fim de dois anos, em 1808, pôde pintar para a festa de acção de graças que pela restauração do reino se celebrou na igreja da Graça, quatro painéis que lhe granjearam grande fama, e logo o colocaram na plana dos primeiros artistas daquele tempo. Em 1811 foi nomeado lente substituto da aula de desenho, e continuou a trabalhar, sendo sempre muito apreciado, e tanto que em 1824 foi escolhido para mestre de desenho e de pintura de miniatura, das infantas, filhas de D. João VI. Não tardou, porém, a regressar ao Porto e a cuidar da regência da sua aula, sendo em 1833 nomeado lente proprietário da mesma cadeira. Em 1836 publicou um folheto no Porto com o título: Exposição histórica da criação do Museu Portuense, com documentos oficiais para servir à historia das belas artes em Portugal, etc. Nesse mesmo ano foi nomeado director da Academia de Marinha e Comércio da Cidade do Porto, que depois tomou o nome de Academia Politécnica, continuando ele a dirigi-la, ainda depois de se jubilar como lente da mesma academia, até à data do seu falecimento.

No Periódico dos Pobres do Porto, n.º 79, de 1856, no artigo que em seguida foi transcrito no Braz Tizana n.º 82; e também no n.º 80 do Nacional de 9 de abril de 1859, vêem publicados muitos dados biográficos e notícia minuciosa dos seus trabalhos artísticos.

Informação retirada daqui
  


quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Biografia de André de Resende

Nasceu por volta de 1495/8-1506 em Évora.
Morreu em 1573

Humanista do século XVI, a quem se ficaram a dever os primeiros estudos sobre arqueologia de Évora, e veio a morrer, já septuagenário, depois de uma existência que não foi sem brilho social e cultural.

Filho da família eborense Resende, educou-o sua mãe, fazendo-o ingressar na  ordem dominicana, em que os seus talentos ganharam a confiança dos superiores, que o mandaram completar os estudos superiores em universidades estrangeiras, de Espanha e de França. Passou assim pelas Universidades de Alcalá de Henares e de Salamanca, na qual foi discípulo de Nebrija, do português Ayres Barbosa e do flamengo Clenardo.

Depois do doutoramento em Salamanca, seguiu para Paris, em cujos meios universitários tanta evidência tiveram seus talentos, que o diplomata D. Pedro de Mascarenhas, embaixador de Portugal junto de Carlos V, em Bruxelas, o chamou para o imperador o conhecer.

Pouco demorou, porém, na capital brabantina e desconhece­-se‑lhe a causa da brusca partida inesperada, em 1534, de regresso ao Reino.

Falecimento da mãe estremecida? Chamada de D. João III, já então ocupado com a reforma e restauração da Universidade em Coimbra, que havia de realizar‑se em 1537?

Importa muito menos penetrar este mistério do que saber­-se ter‑lhe sido confiada a Oratio pro rostris, sua obra mais citada, que pronunciou, como Oração de Sapiência, na abertura do ano electivo da Universidade, ainda em Lisboa.

Já veremos que o humanista se desempenhou admiravelmente do encargo, animado do espírito do século, que nele haviam avivado as relações com seus velhos mestres e com o próprio Erasmo.

Nomeado, por D. João III, mestre do infante D. Duarte, seu irmão, e regendo ao mesmo tempo a cadeira de Humanidades na Universidade, com a qual seguiu para Coimbra, quando da transferência e sua reforma em 1537, obteve do papa a secularização, que lhe dava a maior liberdade.

Em 1551, ainda teve a seu cargo a Oração de Sapiência, mas quatro anos depois era demitido do professorado, depois do que regressou enfim, cerca dos cinquenta anos de idade, à cidade natal, onde se fixou e abriu para ensino particular um curso para Humanidades.

Porque teria sido demitido de Coimbra?

Ignora-se o motivo. Talvez iniciativa dos colégios universitários. Não seria difícil de invocar, para determinar-lhe a demissão, certo destempero de temperamento, demonstrado em sua primeira «Oratio pro Rostris». Aquela sua invectiva contra a crassa minerva canonistarum que comprometem as litteras humaniores que ele próprio professava; aquela exaltação das letras acima das armas, porque, pela indagação da verdade, conferiam a imortalidade e a fama, invejadas dos próprios reis; aquela veemência com que, depois de exaltar o valor da Gramática, que tem maior conteúdo do que o aparenta o aspecto (quae plus habet in recessu quarn in fronte) porque é anais do desenvolvimento da razão, increpa as sórdidas, ignorantes criaturas que dão pelo nome de gramáticos; o mesmo despejo de linguagem contra os que, por seu turno, ignorando as línguas clássicas grega e latina, chave da poesia, da eloquência e da dialéctica, a estas comprometem, pois que à maneira de porcalhões, mais asnos do que homens, com estentórea voz, silogismos mentirosos e palavras de monstruosa invenção, espalhafatosamente debateram sobre o que não sabem - tudo isso patenteia um ímpeto que dificulta a sociabilidade. O mestre em artes era, ao menos quando jovem, um rude fundibulário...

Regressado, pois, à sua cidade natal, ali vai regendo sua aula de Humanidades, continuando pela pregação o seu múnus sacerdotal, e teria já começado a interessar-se por investigações arqueológicas da terra eborense, as quais, no fim da vida, foram sua exclusiva forma de actividade de espírito, quando o cardeal-infante D. Henrique fundou a sua Universidade católica de Évora.

São então proibidas as escolas particulares que pudessem desviar alunos dos cursos nelas professados, mas excluía-se da lei a de André de Resende -que, aliás, não aceita o regime de excepção.

E é então que, até à morte, se consagra intensivamente à Arqueologia. Como historiógrafo legou-nos, além de crónicas manuscritas, a obra De Antiquitatibus Lusitaniae, por que entre nós se inicia o estudo documentado do domínio romano na Lusitânia, e a História da Antiguidade da Cidade de Évora; como agiólogo, A Santa Vida e Religiosa Conversão de frei Pedro, porteiro do Convento de S. Domingos, e a Vida de S. Domingos de Cuba; como poeta, foram várias as poesias em português e latim, dentre as quais alguns poemas, um dedicado a São Vicente, impresso com mais composições, orações e cartas em Colónia, em 1545.

Finalmente, ao gramático ficou-se devendo um Comentário da conjugação dos Verbos, e até o compositor deixou em seu espólio o Ofício de São Gonçalo e o Ofício de Santa Isabel. São numerosas as suas cartas.

Falecido em Évora, em 1573, o túmulo que lhe guarda os restos mortais está na Sé Catedral.

Fontes:
Carlos Selvagem e Hernâni Cidade, Cultura Portuguesa, 5, Lisboa, Empresa Nacional de Publicidade, 1971, págs. 42-46

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Biografia de Antero de Quental

n.      18 de abril de 1842.
f.       11 de setembro de 1891.

Bacharel formado em direito pela Universidade de Coimbra; publicista, homem político, filósofo e poeta. Nasceu em Ponta Delgada a 18 de abril de 1842, onde também faleceu a 11 de setembro de 1891. Era descendente duma das mais antigas famílias das ilhas dos Açores, sendo filho de Fernando do Quental.

Depois de estudar as primeiras letras na sua terra natal, veio para Lisboa e cursou as aulas do estabelecimento de ensino fundado e dirigido por António Feliciano de Castilho. Em 1856 foi matricular-se em direito na Universidade de Coimbra, tomando o grau de bacharel em 1864. Desde 1860 que o jovem poeta se tornara conhecido no mundo literário, com a publicação em opúsculo anónimo, segundo Raimundo Capella, da poesia À historia, cujas estrofes são as que abrem a primeira edição das Odes modernas. Desde esse ano apareceram também várias poesias e artigos de prosa nos jornais Académico, Prelúdios literários, Estreia literária, Fósforo, publicados em Coimbra. Em 1861 saiu dos prelos da Imprensa Literária da mesma cidade, um folheto intitulado Sonetos de Antero. Em 1863 publicou-se o poemeto Beatrice, e a poesia Fiat lux, que se tornou raríssima, por ter o seu autor inutilizado quase todos os exemplares, poucos dias depois de impressos. Mas em 1865 é que se publicou, também em Coimbra, o volume das Odes modernas, que marcou a Antero do Quental um lugar de destaque nas letras portuguesas. Deste livro se fez segunda edição no Porto em 1875, contendo varias composições inéditas. No Porto também saiu, em 1871, o volume das Primaveras românticas, com o subtítulo de versos dos vinte anos. A série das suas publicações em prosa, encetou-a Antero do Quental em Coimbra, em 1865, com a sua Defesa da Carta encíclica de Sua Santidade Pio IX contra a chamada opinião liberal; este opúsculo tem esta dedicatória: “A todos os católicos sinceros e convictos. A todos os hereges sinceros e convictos. Testemunho de boa-fé.”

Outro opúsculo, publicado no mesmo ano de 1865, é que provocou uma verdadeira tempestade literária, denominada A questão coimbrã. Intitulava-se Bom senso e bom gosto; carta ao ex.mo Sr. António Feliciano de Castilho; reimprimiu-se primeira e segunda vez, contando ao todo três edições. A virulenta e prolongada polémica literária que derivou daquele opúsculo, chegou ao extremo de redundar num duelo à espada entre Quental e Ramalho Ortigão, autor do opúsculo Literatura de hoje. O duelo efectuou-se no Porto, no sítio chamado da Arca de Água, ficando Ramalho Ortigão levemente ferido num pulso. Ainda em 1865 publicou Antero do Quental em Lisboa, um outro opúsculo A dignidade das letras e as literaturas oficiais, em que atenuou alguns dos exageros da sua apreciação no opúsculo que provocara a questão coimbrã. Volvidas depois as publicas atenções para os factos político-sociais, interveio Antero do Quental nos debates do momento com a publicação dos opúsculos de combate: Portugal perante a revolução de Espanha, considerações sobre o futuro da política portuguesa. O ponto de vista da democracia ibérica, em 1868; e O que é a Internacional; o socialismo contemporâneo, o programa da Internacional; a organização da Internacional; as conclusões, em 1871, este sem o nome do autor.

Entretanto, promoviam-se em Lisboa, no salão do Casino Lisbonense, as Conferencias democráticas, cujo programa tem a data de 16. de maio de 1871, e é assinado além de Antero do Quental, por Adolfo Coelho, Augusto Soromenho, Augusto Fuschini, Eça de Queiroz, Germano Vieira de Meireles, Guilherme de Azevedo, Jaime Batalha Reis, J. P. Oliveira Martins, Manuel de Arriaga, Salomão Saragga e Teófilo Braga. As Conferencias democráticas foram inauguradas por Antero do Quental, que também fez a segunda conferência, a qual teve por tema as Causas da decadência dos povos peninsulares nos três últimos séculos. Este notável discurso foi publicado no Porto no mesmo ano de 1871; nele dá Antero do Quental como causas da decadência de Portugal a monarquia e o catolicismo. Proibidas as Conferencias democráticas por uma portaria do então presidente do conselho de ministros, o marquês de Ávila e Bolama, Antero do Quental publicou a sua Carta ao Ex.mo Sr. António José de Ávila, marquês de Ávila, presidente do conselho de ministros, que está escrita com veemência e enérgica indignação. 

Afastando-se por essa época da vida pública, após uma viagem aos Estados Unidos, dedicou-se mais especialmente Antero do Quental às preocupações literárias entrando na nova polémica literária suscitada pela versão do Fausto, de Goethe, pelo visconde de Castilho, desta vez do lado deste e seus amigos e admiradores; dessa época é também o seu opúsculo Considerações sobre a filosofia da história literária portuguesa, em 1872, onde aprecia o livro de Oliveira Martins sobre Camões e os Lusíadas e a Teoria da história da literatura de Teófilo Braga. Em prosa há dispersos por jornais e revistas, muitos artigos dignos de leitura e meditação, como acerca de Lopes de Mendonça, nas colunas duma folha operária do Porto. Deve-se também mencionar os seus manifestos políticos, quando o Partido Socialista, em 1880, lhe indicou o nome aos eleitores como candidato a deputado por um círculo de Lisboa. Em 1892, o livreiro Gomes, de Lisboa, editou o volume raios de extinta luz, poesias inéditas de Antero de Quental, com outras pela primeira vez coligidas, precedidas de um esboço biográfico por Teófilo Braga. Das suas obras poéticas, além da imitação dum soneto por Manuel del Palacio, traduções em espanhol por Frederico Balart, segundo comunicação de Sanchez Moguel, havendo a Illustracion Española y Americana apresentado já especímenes desta versão; de Manuel Curros Enriquez; e de Baldomero Escobar. Em francês, além de Fernando Leal, traduziram Antero do Quental o autor de Epines et roses, em Gouttes d'Ame, Paris; Achille Millien, em suas Fleurs de poesie, morceaux des poétes étrangers contemporains, traduits en vers; Maxime Formont no capitulo III da sua obra Le Mouvement poétique contemporain en Portugal, Lyon, 1892; e H. Faure. Em italiano, contam-se as versões de Marco Antonio Canini, Giuseppe Cellini, Domenico Milelli, E. Teza, G. Zuppone-Strani, com quem colaborou o autor das Fiori d'Oltralpe, onde, além da tradução de varias poesias insere igualmente a versão siciliana Zara, traduzida outrossim em dialecto corso por A. P. Fioravanti; esta poesia, bem como os sonetos A Virgem Santíssima e Quia aeternus, em italiano, foi traduzida outrossim por Prospero Peragallo e Clelia Bertily; desta versão se encontra uma reprodução no livro de António Padula, I nuovi poeti portoghesi, onde também se vê uma tradução Dos Cativos em prosa. Do epitáfio Zara, há também uma tradução em italiano por Francisco Accineili. A edição poliglota Zara (Lisboa, Imprensa Nacional, 1894) compreende traduções em latim, italiano, siciliano, calabrês, napolitano, bolonhês, romanhol, veneziano, veronês. milanês, genovês, romanche, francês, valão, bearnês, delfinês, provençal, e catalão, maiorquino, castelhano, asturiano, mirandês, galego, romeno, polaco, boémio, russo, esloveno, eslovaco, croata, grego, albanês, inglês, sueco, dinamarquês, norueguês, neerlandês, alemão; daco saxónico, bretão, irlandês, daco-cigano, hebraico, árabe, finlandês, húngaro e basco. A estas versões cumpre aditar as posteriores em russo, em eslavo de Montenegro e em arménio antigo e moderno. Das outras obras poéticas de Antero do Quental resta registrar as traduções em inglês pelo dr. Richard Garnett e por Edgar Prestage, benemérito das letras lusitanas. Em alemão outro benemérito de nossa literatura, Wilhelm Storck, publicou uma versão dos Sonetos de Quental. Em sueco os traduziu Goran Bjorkman, como em dinamarquês recentemente Karl Larsen, professor da Universidade de Copenhaga. Dos escritos em prosa de Antero do Quental há da Carta autobiográfica a Storck, versões em alemão e em inglês; e desde 1882 uma tradução espanhola do estudo crítico A poesia na actualidade, traslado devido a Ricardo Caruncho, e impresso em Corunha.

O péssimo estado de saúde de Antero de Quental, a que debalde buscava remédio no conselho das sumidades da ciência médica, como Charcot em Paris, acabara por o obrigar ao retiro de um isolamento completo, em Vila do Conde, onde em 1890, quando se deu o Ultimato inglês, o entusiasmo da mocidade académica portuense o foi buscar, oferecendo-lhe a presidência da Liga Patriótica do Norte, agremiação oriunda dum comício popular. A Liga Patriótica do Norte, porém, fracassou; e na sequência dos sucessos, veio Antero de Quental a regressar à sua terra natal, onde inesperadamente o público culto foi alarmado pela surpresa da terrível notícia do suicídio do grande poeta. No ano de 1896 apareceu no Porto, editado por Mathieu Lugan, um volume In memoriam, de Antero de Quental, colaborado por alguns dos seus mais íntimos amigos pessoais, trazendo dois apêndices, um de Ernesto do Canto, outro a excelente bibliografia Anteriana, de Joaquim de Araújo.

A este estudo se ligam os opúsculos seguintes: do mesmo Joaquim de Araújo, Bibliografia Anteriana, resposta a alguns reparos do sr. Delfim Gomes, Coimbra, 1896, e Bibliografia Anteriana, resposta aos srs. Delfim Gomes e José Pereira Sampaio, Génova, 1897; de Delfim Gomes, Bibliografia Anteriana, notas ao ensaio do sr. Joaquim de Araújo Coimbra, 1896; Biblioteca Anteriana, defesa de algumas notas impugnadas pelo sr. Joaquim de Araújo, Coimbra, 1896, e Bibliografia Anteriana, a propósito da «Resposta» do sr. Joaquim de Araújo aos srs. Delfim Gomes e José Pereira de Sampaio, por José de Azevedo e Meneses, Barcelos, 1897.

Informação retirada daqui

sábado, 3 de dezembro de 2016

Biografia de Claude Prost

n: 5 de Fevereiro de 1764, Auxonne (França)
m: 4 de Julho de 1834, em Belleville [Paris] (França)

Soldado no Regimento de Artilharia de Estrasburgo em 1780, era cabo na artilharia a cavalo no princípio de 1792, sendo tenente um ano mais tarde estando em serviço no Exército do Norte. Combate no Reno assinalando-se na batalha de Altenkirchen, em 19 de Setembro de 1796, combatendo também em Mosskirch em 5 de Maio de 1800.
Coronel do 1.º Regimento de Artilharia a cavalo em 1805, é nomeado chefe do estado-maior da artilharia do 1.º corpo de observação da Gironda em 1807. Quando regressa a França, em 1808, é colocado no Exército da Catalunha, onde está em 1809. É feito Barão do Império em 1810 e general de Brigada no ano seguinte. Ficou surdo durante o cerco da fortaleza de Figueras, em 1811, sendo reformado em 1813.

Fonte:
Jean Tulard e outros,
Histoire et Dictionnaire du Consulat et de l'Empire, 
Paris, Laffont, 1995. 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Biografia de Francisco Rolão Preto

Um dos fundador do Integralismo Lusitano, e  «Chefe» do Nacional-Sindicalismo.

Nasceu no Gavião, em 12 de Fevereiro de 1893;
morreu em Lisboa em 18 de Dezembro de 1977.

Ainda estudante do liceu abandonou Portugal e foi ter com Paiva Couceiro, oficial monárquico que a partir da Galiza, nos anos de 1911 e 1912, tentou derrubar o regime republicano instaurado em Portugal, tendo participado em várias incursões. Estabelecendo-se na Bélgica, tornou-se secretário da revista Alma Portuguesa, o primeiro órgão do Integralismo Lusitano. Acabou o curso liceal no Liceu português de Lovaina, tendo ingressado posteriormente na Universidade católica da mesma cidade. Devido ao começo da primeira guerra, foi para França, onde se licenciou em Direito, na Universidade de Toulouse. 

Regressado a Portugal em 1917, começou a escrever para o jornal integralista A Monarquia, sendo seu director quando Hipólito Raposo foi preso. Membro da Junta Central do Integralismo Lusitano a partir de 1922, tornou-se colaborador do general Gomes da Costa, sendo o redactor dos 12 pontos do documento distribuído em Braga no começo do movimento militar de 28 de Maio de 1926, que instaurou a ditadura militar. A inactividade do Integralismo Lusitano a seguir ao golpe de 1926 afastaram-no dessa organização política. Por isso, em 1930, dirigiu com David Neto e outros sidonistas a Liga Nacional 28 de Maio, grupo de origem universitária, que se auto proclamara defensora da Revolução Nacional.

Mas foi em Fevereiro de 1933 que Rolão Preto se tornou uma figura nacional, com o lançamento público do Nacional-Sindicalismo no decurso de vários banquetes-comício que comemoravam o primeiro ano de publicação do jornal Revolução, Diário Académico Nacionalista da Tarde, aparecido em 15 de Fevereiro de 1932 e que em 27 de Agosto desse mesmo ano tinha adoptado o subtítulo Diário Nacional-Sindicalista da Tarde. Rolão Preto era o seu director desde 14 de Março. Movimento de tipo fascista, conhecido pelos camisas azuis, o Nacional-Sindicalismo foi uma organização que conseguiu algum apoio nas universidades e na oficialidade mais jovem do Exército português. Devido a incidentes nas comemorações de 1933 do 28 de Maio em Braga, onde houve confrontos entre os nacional-sindicalistas e a polícia, ao discurso de Rolão Preto de 16 de Junho, numa sessão no São Carlos, claramente anti-salazarista, o jornal Revolução acabou por ser suspenso em 24 de Julho. Restabelecido fugazmente em Setembro seguinte - saíram só três números - o Nacional-Sindicalismo dividiu-se em Novembro quando um grupo, o mais numeroso, decidiu apoiar Salazar e integrar-se na União Nacional, abandonando assim as ideias de independência perante o novo regime defendidas por Rolão Preto e Alberto Monsaraz.

Após uma última representação ao Presidente da República, general Carmona, em defesa de um governo nacional com a participação de todas as tendências políticas nacionalistas, é detido em 10 de Julho de 1934 e exilado quatro dias depois, residindo durante um tempo em Valência de Alcântara, em Espanha, frente a Castelo de Vide. Em 29 de Julho o nacional-sindicalismo é proibido por meio de uma nota oficiosa de Salazar, que afirma que o movimento se inspirava «em certos modelos estrangeiros».

Indo para Madrid, hospedou-se em casa de José António Primo de Rivera, filho do ditador espnhol,, com quem terá colaborado na redacção do programa da Falange espanhola. Regressou em Fevereiro de 1935 a Portugal, mas foi implicado numa tentativa de golpe contra o regime, em Setembro de 1935 - o Golpe de Mendes Norton, com tentativa de revolta do navio Bartolomeu Dias e do destacamento militar do Quartel da Penha de França -, e obrigado a novo exílio. Residindo em Espanha, acompanhará a Guerra Civil ao lado dos falangistas.

Regressado a Portugal retoma a intervenção política apoiando o MUD - Movimento de Unidade Democrática -, criado no Outono de 1945 para participar nas eleições de Novembro seguinte, as primeiras eleições do Estado Novo em que se admitiram listas alternativas. Nesse ano publica o seu livro A Traição Burguesa. Mais tarde, apoia a candidatura de Quintão Meireles nas eleições para a presidência da República de 1951 contra o candidato oficial, Craveiro Lopes, discursando na única sessão política da campanha. Em 1958 apoiará Humberto Delgado, participando activamente na campanha eleitoral, sendo responsável pelos serviços de imprensa da candidatura.

Em 1970, constitui com outras personalidades monárquicas a colecção «Biblioteca do Pensamento Político» e integra a Convergência Monárquica, organização política monárquica que reúne o Movimento Popular Monárquico, de Gonçalo Ribeiro Teles, a Renovação Portuguesa de Henrique Barrilaro Ruas, em que participava, e uma facção da Liga Popular Monárquica de João Vaz de Serra e Moura. Participa nas eleições de 1969, nas Comissões Eleitorais Monárquicas, as únicas eleições durante o período de governo de Marcelo Caetano. Em 1974 assume a Presidência do Directório e do Congresso do Partido Popular Monárquico (PPM), fundado em 23 de Maio.

Mário Soares, enquanto Presidente da República, condecorou-o a título póstumo, em 10 de Fevereiro de 1994, com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique pelo seu «entranhado amor pela liberdade».

Fontes:
José Manuel Alves Quintas, «Rolão Preto», Unica Semper Avis, Maio de 2000, página acedida em 13 de Janeiro de 2002 e em 8 de Fevereiro de 2003. (a ligação abre numa nova janaela)

João Medina, Salazar e os Fascistas: Salazarismo e Nacional-Sindicalismo, a história dum conflito, 1932/1935, Lisboa, Livraria Bertrand, 1979.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Biografia de Nicolas Poussin

Pintor francês, principal autor clássico do período Barroco, trabalhou quase exclusivamente em Roma.

Nasceu em Les Andelys, Normandia, França, em Junho de 1594;
morreu em Roma em 19 de Novembro de 1665.

Nascido numa aldeia do vale do Sena, no Norte de França, era filho de lavradores. Educado localmente foi com a visita do pintor Quentin Varin (1570-1634) à sua vila, em 1612, que o seu interesse pela arte foi despertado. Decidido a ser pintor foi estudar para Rouen e mais tarde para Paris. Não tendo encontrado professores de qualidade, devido à sua pobreza e ignorância, estudou com pintores de pouca qualidade. Devido às dificuldades regressou à casa paterna, doente e humilhado.

Voltou a Paris um ano depois, mas com outro objectivo, o de ir para Roma estudar, já que a cidade era a capital do mundo artístico. Com a ajuda de Giambattista Marino, poeta da corte de Maria de Médicis, conseguiu alcançar o seu objectivo em 1624.

O poeta encomendou a Poussin uma série de desenhos para ilustrarem as Metamorfoses de Ovídio. Entretanto Poussin ia tentando os vários estilos de pintura utilizados pelos artistas de Roma. A sua principal obra nesta época foi uma obra para um altar da Basílica de S. Pedro, O Martírio de Santo Erasmo, realizada em 1629. A obra não foi bem acolhida pela comunidade artística, o que levou Nicolas Poussin a virar-se para temas da mitologia clássica e de Torquato Tasso, sendo influenciado pelo pintor veneziano Ticiano. Até 1640, ano em que volta a França por um curto espaço de tempo, o artista aproxima-se deliberadamente do modelo de Rafael e da antiguidade romana, começando a criar o classicismo que marcará todo o resto da sua obra.

O seu trabalho em Roma atraiu a atenção da corte francesa, e o cardeal de Richelieu, ministro de Luís XIII, convenceu Poussin a regressar a França. As obras encomendadas não tinham a ver com as suas qualificações, e o que realizou não foi bem recebido, o que o obrigou a deixar Paris em 1642, regressando a Roma.

As suas obras dos anos 40 e 50 tratam de momentos de crises ou de difícil escolha moral, e os seus heróis são aqueles que rejeitam o vício e os prazer, pela virtude e pela razão. As suas paisagens mostra que a natureza desordenada submetida à ordem geométrica, sendo que as árvores se tornam quase suportes arquitectónicos.

No início da década de 60 do século, a saúde Nicolas Poussin degradou-se tendo vindo a morrer em 1665.

Fonte:
Jane Turner (ed.), The Grove Dictionary of Art

domingo, 27 de novembro de 2016

Biografia de Columbano Bordalo Pinheiro

Um dos maiores pintores portugueses.
Nasceu em Lisboa, em 21 de Novembro de 1857; 
morreu na mesma cidade em 6 de Novembro de 1929.

Filho do pintor, escultor e gravador Manuel Maria Bordalo Pinheiro, estudou na Academia de Belas-Artes de Lisboa, onde cursou desde os 14 anos de idade desenho e pintura histórica. Na Academia foi discípulo do escultor Simões de Almeida e do mestre Ângelo Lupi, tendo feito o curso em quatro anos em vez dos curriculares sete.

Em 1881 partiu para Paris, beneficiando de uma bolsa de estudo, custeada secretamente por D. Fernando de Saxe-Coburgo, viúvo de D. Maria II, amigo do pai. Foi para França, acompanhado da irmã mais velha, tendo aprendido com Manet, Degas, Deschamps entre outros. Em 1882 apresentou no «Salon de Paris» o quadro «Soirée chez Lui» que foi bem recebido pela crítica, e que está actualmente exposto no Museu de Arte Contemporânea de Lisboa com o título «Concerto de Amadores». 

Este quadro foi exposto em Lisboa, na Promotora, em 1883, após o seu regresso a Portugal, não tendo sido muito bem recebido pela crítica. Junta-se aos artistas do «Grupo do Leão», nome de uma cervejaria de Lisboa, que retratou num quadro que será um dos seus mais conhecidos. O grupo  era formado por jovens artistas empenhados numa reforma estética

Foi no domínio da pintura de decoração e nos retratos que se celebrizou, sendo dele as pinturas da sala de recepção do Palácio de Belém, os painéis dos «Passos Perdidos» da Assembleia da República e do tecto do Teatro Nacional. Os retratados, intelectuais sobretudo, incluem Oliveira Martins, Ramalho Ortigão, Eça de Queirós, Teófilo Braga, mas um sobressai: o de Antero de Quental, pintado em 1889.

Em 1901 tornou-se professor de pintura histórica da Academia de Belas-Artes de Lisboa, depois de ter sido preterido no concurso de 1897. Em 1911, foi nomeado pelo novo regime republicano para primeiro director do recém criado Museu de Arte Contemporânea onde se manteve até à reforma.

Era, segundo Diogo de Macedo: «misantropo, fechado em si, dado a análises exaustivas, a dissecações cruéis, teve apenas um grande amor - a pintura».


Fontes:
Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura;
José-Augusto França,
A Arte Portuguesa de Oitocentos,
2.ª ed., Lisboa, Instituto de Cultura e Língua Portuguesa («Biblioteca Breve»), 1983 (1.ª ed., 1979)

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Biografia de D.Miguel Pereira Forjaz, conde da Feira

n.       1 de novembro de 1769.
f.        6 de novembro de 1827.

Tenente general, etc. Nasceu em 1 de novembro de 1769, faleceu a 6 de novembro de 1827. Era filho de D. Diogo Pereira Forjaz Coutinho Barreto de Sá e Resende, que foi coronel de cavalaria, governador e capitão-general da ilha da Madeira.

Alistando-se D. Miguel Pereira Forjaz no exército, foi logo despachado alferes, e serviu no estado-maior do conde de Oeynhausen, e com ele esteve no campo da Porcalhota em 1790. Foi promovido a capitão em 1791 e a sargento-mor em 1793, sendo nomeado ajudante de ordens do general Forbes, comandante da divisão portuguesa, que foi combater no Rossilhão e na Catalunha. Já com o posto de coronel, foi em março de 1800 nomeado governador e capitão-general do Pará, mas não chegou a partir para o Brasil, e na campanha do ano seguinte exerceu o cargo de quartel-mestre-general do general Forbes. 
Em 1806 foi elevado a brigadeiro, e encarregado da inspecção-geral das Milícias do reino. Quando a família real saiu de Portugal para o Brasil em 1807, teve a nomeação de secretário do governo no impedimento do conde de Sampaio. Tendo acompanhado como ajudante-general de Bernardim Freire o exército por ele comandado na sua marcha do Porto para Lisboa, foi nomeado, depois da convenção de Sintra, secretário da regência e encarregado da pasta dos negócios da guerra e estrangeiros. Neste cargo prestou relevantes serviços ao país, cooperando eficazmente para a organização da nossa força militar e contribuindo poderosamente para que o general Beresford tivesse à sua disposição os elementos com que se opôs aos soldados de Napoleão, e com que, expulsando-os do território português, levou triunfante a nossa bandeira até além dos Pirenéus. Deixando o seu lugar na regência em resultado da revolução de 1820, conservou-se desde então inteiramente afastado dos negócios públicos. 

Em 1808 foi promovido a marechal de campo, e em 1812 a tenente general. Por decreto de 13 de Maio de 1820 recebeu a mercê do título de conde da Feira, e em 1826 foi eleito par do reino, por ocasião da outorga da Carta Constitucional.

Informação retirada daqui



quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Biografia de Dom Miguel Pereira Forjaz

n: 1 de Novembro de 1769 (Portugal)
m: 6 de Novembro de 1827 (Portugal)

Entrou para o exército em 1785, como cadete no Regimento de Peniche onde encontrou muitos membros da sua família. Foi promovido a alferes em 1787, e serviu no estado-maior do conde de Oeynhausen, inspector-geral da Infantaria, estando com ele no campo da Porcalhota em 1790. 

Foi promovido a capitão em 1791, e a major («sargento-mor») em 1793, sendo nomeado ajudante de ordens do general Forbes, comandante da divisão portuguesa que foi combater no Rossilhão e na Catalunha. Já com o posto de coronel, foi em Março de 1800 nomeado governador e capitão-general do Pará, mas não chegou a partir para o Brasil, e na campanha do ano seguinte, no Alentejo, exerceu o cargo de quartel-mestre-general (chefe de estado maior) do general Forbes. Em 1806 foi elevado a brigadeiro, e encarregado da inspecção-geral das milícias. Quando a família real saiu de Portugal para o Brasil, em 1807, foi  nomeado secretário suplente do governo, quando fosse necessário de substituir o conde de Sampaio. 

Quando Junot assumiu o governo do país, retirou-se para a província. Estava em Coimbra quando começou a revolta contra a ocupação francesa e dirigiu-se para o Porto, onde começou a reorganizar o exército, sob as ordens do seu primo Bernardim Freire de Andrade. Acompanhou-o como ajudante general do exército do Norte na sua marcha do Porto para Lisboa, tendo sido nomeado, depois da convenção de Sintra, secretário da regência sendo encarregado da pasta dos negócios da guerra e estrangeiros. Neste cargo reorganizou o exército, de acordo com as propostas de 1803, que tinham sido vagarosamente implementadas até 1807. A criação dos batalhões de caçadores é uma das suas iniciativas, de acordo com as propostas de 1803.  Apoiou Beresford, de uma maneira cada vez mais crítica, na adaptação do exército português ao serviço de campanha do exército britânico.

Em 1815 opôs-se, com êxito, ao envio de uma divisão portuguesa para os Países-Baixos para combater Napoleão Bonaparte, no período dos Cem Dias.

Deixou o seu lugar na regência devido à revolução de 1820, afastando-se dos negócios públicos. 

Em 1808 tinha sido promovido a marechal de campo, e em 1812 a tenente general. Por decreto de 13 de Maio de 1820 recebeu o título de conde da Feira, e em 1826 foi eleito par do reino, por ocasião da outorga da Carta Constitucional por D. Pedro IV.

Informação retirada daqui

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Biografia de Antoine Pesne

Pintor rococo francês que foi o mais importante artista na Prússia da primeira metade do século XVIII.
Nasceu em Paris, em 23 de Maio de 1683; 
morreu em Berlim em 5 de Agosto de 1757.

Ensinado pelo seu pai, o pintor Thomas Pesne e pelo seu tio-avô Charles de La Fosse, foi influenciado pelos principais retratistas franceses da época, Rigaud e Largillière. 

Continuou os seus estudos em Itália, em Roma, Nápoles mas sobretudo em Veneza, onde trabalhou com Andrea Celesti. Em 1707 pintou o retrato de corpo inteiro do embaixador prussiano na República de Veneza, o barão von Knyphausen, o que o levou a ser chamado por Frederico I da Prússia a Berlim e ser nomeado pintor da câmara real.

Quando Frederico II subiu ao trono em 1740, trabalhou como pintor decorador nos palácios que o novo rei  mandou construir ou redecorar, como os de Rheinsberg, Charlottenbourg, Berlim, Potsdam e Sans-Souci. Continuou a pintar retratos, que lembram, pela sua cor e efeitos impressionistas, Pierre-Auguste Renoir, destacando-se os que representam actrizes e dançarinas italianas e francesas que actuaram na Ópera de Berlim, e que são reconhecidos pelas suas inteligentes caracterizações.

Fontes:
Enciclopédia Britânica;
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Todas as Biografias são retiradas de:

Mensagens populares

Recomendamos